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| Reprodução da Internet |
O corpo de Oscar Niemeyer foi
embalsamado e deixou a Santa Casa de Misericórdia de Inhaúma, no subúrbio do
Rio, por volta das 6h30 desta quinta-feira (6). O corpo chegou ao Hospital
Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul, às 6h50. De lá, após a celebração de uma
missa para familiares e amigos, segundo a viúva Vera Lúcia Cabreira, será
levado para o Aeroporto Santos Dumont para embarcar em um voo fretado rumo a
Brasília, onde será velado no Palácio do Planalto.
O arquiteto, que completaria 105 anos
no próximo dia 15, morreu às 21h55 desta quarta-feira (5), em decorrência de
infecção respiratória. Ele estava internado no Samaritano havia pouco mais de
um mês.
Ainda nesta quinta, segundo o
prefeito Eduardo Paes, o corpo retorna ao Rio, à noite, onde ficará no Palácio
da Cidade. O enterro está marcado para sexta-feira (7), no Cemitério São João
Batista, em Botafogo. A família ainda não divulgou o horário da cerimônia.
Horas após a confirmação da morte
de Niemeyer, o prefeito foi ao hospital para cumprimentar os parentes do
arquiteto. Paes disse que o último encontro com Niemeyer aconteceu há três
meses.
“Perdemos um grande brasileiro.
Ele acreditou até o fim nos seus ideais. Jantei com ele há três meses e ele só
falava de futuro”, disse.
Luto oficial
Paes decretou luto oficial de
três dias, no Rio de Janeiro, após a morte de Oscar Niemeyer. Em nota enviada,
na noite desta quarta-feira (5), ele lembrou as principais obras do aquiteto na
cidade.
"Um dos maiores gênios que o
Brasil deu ao mundo, Oscar Niemeyer foi mais do que um arquiteto brilhante e
inovador que desafiou a lógica e contorceu as formas para criar verdadeiras
obras de arte. Ele construiu marcos e deixou a sua marca na paisagem e na
história de nosso país. Carioca, ele tinha com o Rio de Janeiro uma relação
especial - Niemeyer deu à Cidade Maravilhosa o templo da folia, onde a maior de
todas as festas acontece", diz a nota.
"Como prefeito do Rio,
apaixonado por Carnaval e admirador do trabalho de Niemeyer, sinto-me honrado
por a cidade ter concluído o projeto original do Sambódromo e, com isso, ter
podido realizar o que o próprio mestre chamou de um sonho antigo. O Brasil e o
mundo perderam hoje um homem que dedicou toda a sua vida a produzir beleza. Mas
o que ele criou ficará entre nós como a lembrança de um grande carioca que fez
a diferença", concluiu o prefeito em seu comunicado.
Novos projetos
O médico Fernando Gjorup disse,
na noite desta quarta-feira (5), que Oscar Niemeyer conversou com a equipe
médica sobre a vontade de realizar novos projetos, mesmo aos 104 anos.
Segundo Gjorup, o arquiteto só
perdeu a consciência, pela manhã, após ser sedado. O médico, que cuidou dele
por 15 anos, revela que Niemeyer pouco falava sobre a saúde.
“Antes dessa internação, ele
chegou a conversar com a equipe sobre novos projetos. Ele não gostava de falar
sobre a saúde dele, mas sabia que já tinha passado da metade da vida. Ele nunca
falou sobre morte, só falava em viver. A equipe médica tinha esperança, mas
havia a fragilidade de um senhor de 104 anos”, disse Gjorup, que cuidou do
arquiteto nos últimos 15 anos.
Segundo a equipe médica, o
arquiteto apresentou piora progressiva nos últimos dois dias. Cerca de 10
parentes estavam na Unidade Coronariana do hospital, quando Niemeyer morreu.
O arquiteto era submetido à
hemodiálise e seu estado imunológico já era deficiente.
Histórico de internações
O arquiteto foi internado várias
vezes ao longo dos últimos anos. A última foi em 2 de novembro, quando voltou
ao Samaritano, seis dias depois de ter recebido alta. Desta vez, Niemeyer foi
submetido a tratamento de hemodiálise e fisioterapia respiratória.
No dia 13 de outubro, o arquiteto
deu entrada no Hospital Samaritano após sentir-se mal, apresentando um quadro
de desidratação. Ele ficou internado por duas semanas.
Em maio, Niemeyer também esteve
internado no mesmo hospital, quando deu entrada com desidratação e pneumonia.
Depois de 16 dias, com passagem pela UTI, recebeu alta.
Em abril de 2011, o arquiteto
ficou internado por 12 dias por causa de uma infecção urinária. Também já foi
submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino.
Em 2010, Niemeyer também foi
internado em abril, devido a uma infecção urinária.
Em 2009, o arquiteto ficou
internado por 24 dias no Samaritano, entre setembro e outubro, após dores
abdominais. Ele chegou a passar por uma cirurgia para retirar um tumor no
intestino grosso, uma semana depois de ter sido operado para a retirada de um
cálculo na vesícula.
Em junho do mesmo ano, o
arquiteto foi internado no hospital Cardiotrauma de Ipanema, também na Zona
Sul, queixando-se de dores lombares. Ele passou por uma bateria de exames e
recebeu alta médica algumas horas depois. Na ocasião, exames de sangue e uma
tomografia indicaram que Niemeyer estava apenas com uma lombalgia.
Em 2006, o arquiteto chegou a
ficar 11 dias internado, após sofrer uma queda e passar por uma cirurgia.
Filha do arquiteto morreu em junho
A designer Anna Maria Niemeyer,
única filha de Oscar Niemeyer, morreu aos 82 anos, em consequência de um
enfisema pulmonar, em 6 de junho.
Segundo o administrador Carlos
Oscar Niemeyer, filho de Anna, o avô esteve pela última vez com sua mãe, três
dias antes, durante uma visita ao Hospital Samaritano, onde Anna Maria ficou
mais de 40 dias internada.
Ainda de acordo com Carlos Oscar,
durante o tratamento, Anna chegou a receber alta, mas voltou a ser internada no
dia 1º de junho. Ela teve cinco filhos,13 netos e quatro bisnetos.
Carlos Oscar contou que sua mãe e
o avô eram muito próximos e costumavam se falar todos os dias. Ele disse que
Niemeyer ficou muito abalado ao receber a notícia da morte da única filha.
"O pai receber a notícia da
morte de um filho é uma coisa extremamente difícil, imagina para um pai de 104
anos, a situação é ainda mais complicada", comentou Carlos, durante o
sepultamento de Anna Maria Niemeyer.
Oscar Niemeyer manifestou vontade
de ir ao enterro da filha no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Mas, de acordo
com os parentes, ele não compareceu após os médicos avaliarem que as condições
de saúde do arquiteto não eram favoráveis.
Visita à Passarela do Samba
Em fevereiro, Niemeyer fez uma
visita ao Sambódromo, durante a fase final das obras de reforma da Passarela do
Samba que mantiveram o traçado original que o arquiteto projetou há 30 anos.
Ele enfrentou o sol forte de meio-dia e percorreu num carrinho aberto toda a
extensão da Avenida.
"Está muito bom. Melhorou
muito. Este não é um trabalho só meu, é o trabalho de um grupo. Estou
entusiasmado", disse Niemeyer, na ocasião.
O projeto de Niemeyer previa um
equilíbrio entre os dois lados da Sapucaí, como se fosse um espelho.
Com a
obra, a Sapucaí passou a ter 12.500 lugares a mais, podendo acomodar 72.500 pessoas.
Trabalho em ateliê para festejar 104 anos
Autor de mais de 600 projetos
arquitetônicos, Niemeyer decidiu festejar os seus 104 anos do jeito que mais
gostava: trabalhando em seu ateliê de janelas amplas diante da Praia de
Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Em agosto de 2011, ele lançou o
livro "As igrejas de Oscar Niemeyer" (Editora Nosso Caminho), na
galeria de um shopping da Zona Sul do Rio.
Embora ateu convicto, o arquiteto
selecionou fotos e desenhos das 16 obras religiosas, entre capelas e igrejas, que
realizou ao longo de sua carreira.
"As pessoas se espantam pelo
fato de, mesmo sendo comunista, me interessar pelas igrejas. E a coisa é tão
natural. Eu morava com meus avós, que eram religiosos. Tinha até missa na minha
casa. E eu fui criado num clima assim. Esse passado junto da família me deixou
com a ideia de que os católicos são bons, que querem melhorar a vida e fazer um
mundo melhor", explicou Niemeyer, na ocasião.
G1 Rio

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